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Saúde

Saúde mental e pandemia: como lidar com a ansiedade nos tempos atuais

Coronavírus também tem um impacto profundo na saúde mental. (Foto: Shutterstock)

Em tempos de pandemia, pode ser difícil controlar a ansiedade. A insegurança, a preocupação com os familiares e amigos e as adaptações econômicas têm tirado o sono de muitas pessoas. As relações de trabalho foram afetadas. Alguns em quarentena, outros trabalhando e utilizando transportes lotados, e há ainda aqueles que perderam seus trabalhos durante a crise. Mas como é possível filtrar todas essas situações e informações recebidas diariamente e manter a saúde mental? 

Entrevistamos Bia Sant’Anna, psicóloga e especialista em Neuropsicologia pela FMUSP, que esclareceu como os acontecimentos envolvendo uma pandemia mundial podem afetar a saúde mental. 

Consequências do isolamento na saúde mental 

O corpo reage de diferentes formas quando se sente ameaçado ou está em perigo e libera hormônios como o cortisol e a adrenalina ocasionando sintomas físicos e mentais. Atualmente, vivemos em meio a uma crise de saúde que causa preocupação excessiva em muitas pessoas. Esse medo motivado pela perda da vida ou da contaminação do vírus pode aumentar mecanismos que existem desde a remota época das cavernas, segundo explica a psicóloga Bia Sant’Anna. 

“Na era paleolítica, toda a situação ameaçadora deixava o organismo preparado para reações muito rápidas e pouco analíticas, relacionadas à sobrevivência. O corpo todo se preparava para garantir a vida, lutando ou fugindo. Assim, uma descarga intensa de adrenalina e cortisol inundavam a corrente sanguínea por ativação do sistema nervoso simpático, aumentando a frequência cardíaca, a pressão arterial e a transpiração, dilatando pupilas e brônquios. Hoje em dia o mesmo mecanismo de ataque e fuga é acionado, mas os gatilhos podem ser os noticiários, a preocupação com a família e com o trabalho”, disse a psicóloga. 

Por isso, é importante não descuidar além dos cuidados com a higiene e prevenção, do controle da ansiedade e estresse, já que os níveis elevados e prolongados de cortisol, como observado em quadros de estresse crônico, podem levar à imunossupressão, ou seja, deixar o sistema imune menos eficiente.

A psicóloga explica que a ansiedade e a preocupação excessiva podem fazer com que algumas pessoas sintam sintomas de alguma doença. “Muitas pessoas podem ser vítimas de níveis elevados de ansiedade. É necessário entender se a preocupação que estão sentindo é produtiva ou não. A preocupação produtiva ela gera um plano de ação, tem algo a se fazer a respeito. A preocupação improdutiva só gera desgaste e ruminação e deve ser evitada a todo o custo”, esclareceu Bia Sant’Anna. 

A ansiedade nos tempos atuais tem intensificado também a relação com a comida. Algumas pessoas sentem descontrole no apetite ou comem demais ou perdem a fome. A ansiedade é um dos estados emocionais responsáveis por levar à compulsão alimentar. Em muitos casos, o comportamento torna-se uma busca por alívio, ainda que temporário. 

“Durante a quarentena, estamos restritos e sem as atividades rotineiras que nos traziam alegria, descontração e relaxamento. Somado a isso, frequentemente somos bombardeados por notícias que elevam os níveis de preocupação. Diante disso, há que se buscar disciplina e criatividade para realizar  atividades que possam trazer os mesmos estados emocionais de antes dentro deste novo contexto. Isso envolve ter uma rotina que inclua horários para as tarefas do dia a dia, atividades que envolvam movimentar o corpo e momentos de diversão, mesmo que sejam online”.

A ansiedade só se torna um problema quando a resposta do organismo ocorre de modo exagerado e na ausência de uma ameaça real. 

Técnicas de respiração ajudam a controlar a ansiedade. (Foto: Shutterstock)

É possível evitar as crises de ansiedade com algumas medidas simples. A primeira iniciativa é reconhecer a origem do sentimento ou o que faz ele ser despertado. Quando identificamos como ele surge, é mais fácil preparar a mente para lidar com uma resposta adequada a situação. 

“A ansiedade só se torna um problema quando a resposta do organismo ocorre de modo exagerado e na ausência de uma ameaça real. Então, é preciso analisar se, diante de determinada situação, a pessoa a interpreta de modo ameaçador se imaginando em perigo (chamamos de superestimação da ameaça), e se ela, por sua vez, se enxerga sem recursos para enfrentar (chamamos de subestimação dos recursos internos)”. 

A professora, Franciele Suski, de 35 anos, explica que pequenos hábitos a ajudaram a evitar as crises de ansiedade. “De início, estava muito preocupada e ansiosa, a partir do momento que desliguei a televisão e comecei a rever determinadas situações, me senti mais leve, estudando muito e ocupando a cabeça. Afinal ninguém está livre de sofrer de qualquer moléstia”, afirmou a professora.

O estudante Markus Vinicius Pinheiro, de 29 anos, revela que fazer terapia online e praticar atividades artísticas têm ajudado a lidar com os sintomas da ansiedade. “Eu precisei rever tudo com o isolamento. Sempre tive a necessidade de estar com pessoas e de poder sair como modo de aliviar a ansiedade. Felizmente tenho o privilégio de poder ter a terapia online e tenho passado mais tempo tentando me concentrar comigo mesmo e meditar, sempre que possível com várias formas e técnicas. 

A internet também se tornou uma aliada para continuar tendo contato com algumas pessoas que conheço e tenho feito atividades artísticas como pintar, desenhar e escrever”, revelou.  

É possível contornar e amenizar os sintomas de ansiedade com atitudes simples como exercícios de respiração. Alguns minutos de respiração de forma calma, profunda e controlada já são suficientes para diminuir bastante a ansiedade no meio de uma crise.

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