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Distúrbios Alimentares: Compulsão pode ser desencadeada pelo estresse

O transtorno é caracterizado pela ingestão de grande quantidade de alimentos em períodos de até duas horas. (Foto: Shutterstock)

Grandes quantidades de comida em um curto período de tempo, vergonha, sentimentos de culpa e sofrimento fazem a vida de pessoas com Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica (TCAP) um verdadeiro obstáculo. Mas o que é esse distúrbio e como ele se manifesta? 

A compulsão é o segundo tema a ser tratado pela série “Distúrbios Alimentares”, publicada pelo TIM espaço mulher. São quatro reportagens que você acompanhará semanalmente, toda quarta-feira, com dados, pesquisas, entrevistas e informação sobre o universo das doenças relacionadas à alimentação, corpo e perda de peso. Para ler a primeira reportagem, sobre Anorexia, acesse o menu de notícias e clique em Saúde.

O Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica 

A compulsão alimentar é ocasionada por grande ingestão de comida em pouquíssimo tempo e de maneira muito acelerada. Muitas vezes, durante os episódios de compulsão, o indivíduo come sozinho por sentir vergonha e culpa do exagero alimentar. 

As pessoas que sofrem do transtorno experimentam um sentimento de frustração por sentir que não têm controle sobre o próprio corpo. Diferente de quem sofre de Bulimia, elas não buscam meios de eliminar todas as calorias ingeridas por meio de comportamentos compensatórios. 

Para a psiquiatra e membro da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) Fatima Vasconcellos, a relação entre comida e compulsão alimentar é semelhante à dependência química. “Há inicialmente uma recusa da alimentação e a paciente mesmo com fome recusa a alimentação, mas logo perde o controle e tem períodos de consumo exagerado de comida, semelhante à dependência química. A pessoa fica durante muito tempo em uma restrição alimentar, perde o controle e se alimenta de forma exagerada com alimentos de alto teor calórico”, afirmou a psiquiatra. 

De acordo com o Manual Clínico dos Transtornos da Alimentação (2007), embora as descrições do fenômeno clínico da compulsão alimentar sejam de meio século atrás, o TCAP somente foi reconhecido de maneira regulamentada em 1994, quando foi incluído no Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais pela Associação Psiquiátrica Americana. 

Como reconhecer os sinais do TCAP? 

O manual explica que os episódios de compulsão estão relacionados a um grupo de sintomas que podem incluir a ingestão de alimentos de forma mais rápida que o habitual, comer até se sentir desconfortável, ingestão exagerada mesmo sem fome, alimentar-se escondido devido à vergonha do exagero, além dos sentimentos de culpa e repulsa do próprio corpo por ceder ao descontrole alimentar. 

Em geral, os sintomas de TCAP tendem a aparecer em pessoas que têm problemas com emagrecimento, podendo estar alguns quilos acima do peso ideal ou obeso. Do mesmo modo, é frequente em indivíduos com histórico de frustração no controle do emagrecimento. A ansiedade, por sua vez, é um dos sintomas relacionados à compulsão que leva, frequentemente, a pessoa a comer mais do que necessita, não por fome, mas para diminuir o desconforto da sensação de angústia.

Os pais devem estar atentos aos sintomas, pois eles também surgem nas crianças. 

“O que vemos hoje é o aumento dos quadros de transtornos alimentares já na infância. Um dos quadros clínicos que chamam mais atenção é o Transtorno Alimentar Restritivo/Evitativo além do Transtorno de Ruminação. Já na adolescência, a maior prevalência é de Anorexia Nervosa e Bulimia. Outro problema de saúde muito frequente é a obesidade que se inicia na infância e, quanto mais precoce, maior a gravidade.”, explicou a psiquiatra Fatima Vasconcellos

Complicações da compulsão alimentar 

Uma das complicações do transtorno de compulsão é a possibilidade do ganho de peso levar à obesidade, que por si só ocasiona diversos problemas de saúde, entre eles, hipertensão, dislipidemia, diabete do tipo 2, doença cardíaca coronariana e acidente vascular cerebral são algumas das consequências. 

Os transtornos alimentares são doenças que têm comorbidade com outros transtornos emocionais e mentais, como a depressão e a ansiedade. Por isso, em alguns casos, são recomendados medicamentos controlados para lidar com as comorbidades, que causam muito sofrimento emocional.

A prevenção pode evitar o desenvolvimento dos transtornos 

Segundo o periódico da Academia Americana de Pediatria, algumas medidas ajudam a evitar o desenvolvimento de transtornos alimentares, entre elas: 

— Desencoraje fazer dieta, pular refeições e tomar pílulas para emagrecer; concentre-se em uma alimentação saudável e atividade física, ao invés de peso;

— Promova uma imagem corporal positiva;

— Sugira refeições familiares mais frequentes. Elas melhoram a qualidade da ingestão alimentar e fornecem oportunidades para a modelagem de escolhas mais saudáveis;

— Incentive as famílias a falar sobre uma alimentação saudável ao invés de peso;

— Pergunte a adolescentes com sobrepeso e obesos se eles estão sendo maltratados ou intimidados; fale sobre os problemas com o paciente e a família;

— Monitore a perda de peso em adolescentes que precisam perder peso para garantir que eles não desenvolvam as complicações médicas da inanição. 

O diagnóstico da doença deve ser indicado por um profissional. Como ela é multifatorial e envolve fatores genéticos, psicológicos, sociais e culturais, por vezes se faz necessária a intervenção de psiquiatras, psicólogos e nutricionistas a fim de identificar o problema e prescrever o melhor tratamento. 

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